Hoje perdi a minha avó. A minha “última avó”, depois de perder os meus avôs e a minha outra avó.
Tínhamos 51 anos de diferença, quase tantos quantos os anos que a Constituição hoje cumpre. Uma curiosidade que, creio, não esquecerei.
Porque é demasiado simbólico. Ela nunca teve a oportunidade de, como eu, de como nós, aprender a ler e escrever. Sim, de aprender a ler e a escrever. Sabia, no entanto, muito, fez muito, trabalhou – sempre – muito. É muito responsável, também e a par dos meus pais e deste nosso país, pelas oportunidades muito diferentes das dela – e das dos meus pais – que tive e que ajudaram a construir-me conforme parte de vós me conhece. No que de menos bom tenho e sou mas, também, no que de bom terei, serei e procuro fazer e contribuir.
Lembro-a, muito. E em particular nestas areias na Nazaré, anos e anos junto daquela bola Nivea e quando amealhava todo o ano para poder levar os netos – todos os netos – aqueles dias do ano, de férias. De férias para nós porque, também ali, ela, todos os dias, trabalhava, trabalhava, trabalhava no que mais próximo de umas férias ela aspirou.
Viva à minha avó e a tantas avós deste país.
Viva a Constituição e o caminho que – apesar de todas as dificuldades e do que podemos, enquanto país, ainda melhorar – fizemos.
Que não nos esqueçamos. Como eu não me esquecerei de ti, avó.